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Desvendando os mistérios da Copa do Mundo das novidades

A Copa do Mundo está chegando cheia de novidades: é a primeira no Oriente Médio, é a primeira que será disputada no inverno, a primeira com estádios tão próximos entre si, a primeira com 26 convocados por seleções e a primeira com mulheres como árbitras e assistentes.

Para entender melhor o país sede deste megaevento esportivo, convocamos alguém com “propriedade no assunto” para falar do país árabe. Tareq Al-Bader é porta-voz da conta oficial da FIFA em espanhol para a Copa do Mundo do Catar (@roadto2022es). Apesar do rosto e da voz da organização da copa em espanhol, Tareq tem afinidade com o português. Ele morou em Brasília quando o pai dele foi embaixador do Catar no Brasil, entre 2007 e 2011.

1) Normalmente os países sedes recebem a confirmação com sete anos de antecedência. O catar teve 13, porque foi anunciado junto com a Copa da Rússia. Como o país aproveitou esse tempo para se preparar para a competição?

Tareq Al-Bader: Os últimos 13 anos foram de mudanças significativas para a nação. O deserto do Catar se transformou em cidades, como Lusail e Msheireb, um metro subterrâneo foi construído, novas estradas foram planejadas e, claro, os estádios que vão abrigar os jogos e o públicos já estão prontos. Eu poderia citar mais exemplos, mas é inquestionável que o Catar de hoje não é o mesmo que foi escolhido pela FIFA, em 2011, para sediar a Copa do Mundo.

2) O Catar não é um país com tradição no esporte, no geral, e no futebol, em particular. O que motivou o país a entrar na disputa por sediar a copa?

Tareq Al-Bader: Ao contrário do que muita gente pensa, o Catar sempre foi um país ativo em relação ao esporte. No passado recente, sediamos os Jogos Asiáticos em 2006 e a Copa Asiática (AFC Cup) em 2011. A Aspire Academy, fundada em 2004, tem o objetivo de explorar e ajudar a desenvolver atletas de elite do Catar em diversas modalidades ao mesmo tempo que recebem educação escolar. A abertura da academia contou com a presença de Pelé e Maradona, demonstrando a importância da Aspire Academy para a comunidade desportiva global. Eu diria que o Catar sempre foi apaixonado e dedicado ao esporte, mas a comunidade internacional não reconhecia.

3) Muitos autores apontam a estratégia de sediar megaeventos esportivos como uma tática de soft power. O Catar reconhece essa estratégia para se destacar e aumentar sua relevância internacional?

Tareq Al-Bader: Sim, definitivamente. O Catar aspira ser um centro esportivo e conquistar a reputação de uma nação capaz de sediar os mais importantes eventos esportivos do mundo. Como resultado, o país cresce em notoriedade e importância em escala global, o que sustenta o desenvolvimento humano, social, do turismo, dos investimentos estrangeiros e da economia do Catar.

4) Alguns autores usam o termo sportswashing para criticar países sedes que usam o evento esportivo para mascarar problemas internos. Como o Catar tem lidado com críticas de trabalho semiescravo na construção dos estádios?

Tareq Al-Bader: Nós precisamos lidar com as questões internas assim como qualquer outro país. O tratamento aos trabalhadores e questões de direitos humanos foram dois dos temas mais frequentes com que lidamos durante o período de preparação para a Copa do Mundo. Fico satisfeito em revelar que o Catar fez progressos e esforços significativos para garantir que os trabalhadores tenham uma vida decente, recebam salários adequados e trabalhem em condições consideradas normais. Certamente, grupos ativistas virão ao Catar durante a Copa do Mundo e ficarão satisfeitos em perceber os progressos.

5) O Catar já se envolve com o futebol há alguns anos, no patrocínio do Barcelona de Guardiola, na compra do PSG. Como alinhar sua imagem a times bem-sucedidos ajuda na política externa do Catar?

Tareq Al-Bader: Times de futebol bem-sucedidos garantem muita atenção e ajudam no marketing de empresas, entidades e, no nosso caso, de países que são ligados de alguma maneira a eles. Estar associado a equipes de sucesso ajuda o Catar a divulgar sua imagem em busca de melhores oportunidades de negócios.

6) Quais são os principais benefícios esperados pelo Catar ao sediar a Copa do Mundo de 2022? Já estão tendo algum resultado desse investimento?

Tareq Al-Bader: A primeira e mais óbvia vantagem é que as pessoas vão saber a localização do Catar no mapa, o que já estamos percebendo. Além disso, o aumento do investimento estrangeiro, do desenvolvimento social e dos laços diplomáticos com a comunidade internacional serão os maiores benefícios de sediar a Copa do Mundo.

7) Após a Copa do Mundo de 2022, qual será o próximo passo nessa estratégia?

Tareq Al-Bader: O próximo passo é manter o momentum e continuar atraindo o fluxo de turistas, empresas e eventos para o país. Nós precisamos diversificar a economia porque temos consciência de que os hidrocarbonetos não duram para sempre. Para atender o volume de turistas e pessoas que vão vir para a Copa do Mundo, nós investimos significativamente em infraestrutura, estruturas comerciais e residenciais, para acomodar os novos expatriados que desejem morar aqui.

8) A Copa do Mundo no Catar tem alguns fatores inéditos, como ser a primeira no mundo árabe, a primeira no inverno europeu, a primeira com a menor distância entre os estádios o que facilita o deslocamento das seleções… Como você espera que a Copa de 2022 seja lembrada?

Tareq Al-Bader: Além dos pontos levantados na pergunta, eu acredito que a Copa do Mundo de 2022 será lembrada pela oportunidade de experienciar uma cultura que a maioria dos fãs não tiveram contato ainda. Devido à instabilidade vivida historicamente pela região, muitos turistas evitam visitar o Oriente Médio. Entretanto, a Copa do Mundo deu uma razão para muitas pessoas, que nunca pensaram em passar por aqui, de interagirem com a cultura árabe, sua culinária e costumes.

9) A Copa de 2022 deve ser a mais tecnológica da história. O Comitê Organizador teve alguma preocupação em proteger a inovação? Como lidar com questões de direitos autorais na Copa?

Tareq Al-Bader: Eu não sou a melhor pessoa para responder essa pergunta, mas estou certo de que o Comitê Organizador de Entrega e Legado da Copa realizou as etapas necessárias para garantir que qualquer conceito novo usado na realização da Copa do Mundo esteja livre de qualquer problema de copyright.

10) Qual é o seu palpite para a seleção brasileira neste mundial? Quem você acha que vai ganhar? Quem você gostaria que ganhasse?

Tareq Al-Bader: O Brasil sempre chega como favorito para a Copa do Mundo, então eu acredito que o país deve chegar pelo menos nas quartas-de-final e talvez até vencer. Como eu morei por cinco anos em Brasília (2007 a 2011), eu guardo um lugar especial no meu coração para os brasileiros e desejo o melhor para a seleção brasileira. Pelos últimos meses, eu acho que a Argentina vai ganhar em 2022. Eu sei que os brasileiros podem ficar chateados, mas eu tenho que ser congruente com o que tenho falado em entrevistas. Sinceramente, eu gostaria de ver o Catar, o Uruguai ou a Espanha, países da ascendência da minha mãe, ganharem a Copa do Mundo, mas para ser honesto, eu não me importo. O que eu desejo mesmo é que os visitantes que forem ao Catar se divirtam, que o país continue prosperando e que o mundo se uma para apreciar um mês de muita alegria e paz.

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